segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Duas ou três coisas

Duas ou três coisas é o blogue do embaixador português na França. Aproveito aqui para destacar um excerto da sua última mensagem no dito blogue:

Sei do que falo, porque, durante mais de meia década, passei longas horas na Assembleia da República a apresentar a política europeia que era encarregado de defender, sendo regularmente confrontado, no jogo democrático interno, com posturas críticas do modo como então a dirigíamos.
duas ou três coisas

«A política europeia que era encarregado de defender.» Eu cuidei que o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que os nossos embaixadores e cônsules estavam espalhados em vários pontos em redor do globo para proteger os nossos interesses, não para vir a Portugal apoiar o projecto europeu e, nas embaixadas, possivelmente, negociar com uma orientação pró-União Europeia.

domingo, 11 de dezembro de 2011

O Der Spiegel e a posição britânica

Não é, afinal de contas, verdade que os Britânicos têm sido a mosca na sopa Europeia há já algum tempo?
Der Spiegel
A mosca na sopa... Que rica mosca que contribuiu com 57 mil milhões de euros líquidos para o actual orçamento comunitário.

Quiseram estar sempre lá, ter uma palavra a dizer e manejar a sua influência. Mas quando foi a altura de realmente mergulhar na Europa juntando-se ao Euro a resposta foi: "Nada de euro por favor, somos Britânicos!"
Der Spiegel
Queriam ter uma palavra a dizer? Malvados!! Manejar a sua influência? Quanta perfídia! Recusaram juntar-se ao euro? Que ultraje! Quem diria que há países que querem ter uma palavra a dizer, alguma influência nas decisões que o vão afectar.

De facto, é revelador que o país nunca tenha entrado na zona de viagem livre sem fronteiras conhecida como Espaço Schengen -- O Reino Unido ainda inspecciona toda a gente que entra no país vindo do outro lado do Canal
Der Spiegel
Revelador, sem dúvida. De bom senso.

A classe política foi também muito céptica em relação à moeda única desde o seu início.
Der Spiegel
Viu-se, e vê-se, quem tinha razão.

A zona euro de 17 Estados membros não será mais forçada a acomodar um país que rejeita tudo o que lhe cheire como supra-nacionalismo.
Der Spiegel
Nem sei o que diga a isto... Primeiro fala-se nas "teorias da conspiração sobre a construção de super-estados", depois admitem a construção de supra-nacionalismo na União Europeia e indignam-se por haver quem não queira associar-se.

A Europa pode funcionar muito bem sem os Britânicos
Der Spiegel
E os Britânicos podem funcionar muito bem sem a União Europeia. Tanto melhor para eles!

Cada vez mais países se encontrarão a pedir mais orientação da Alemanha em vez de menos.
Der Spiegel
Alguém na edição do Der Spiegel andou a beber demasiada cerveja... Será que não estão a olhar para o que se passa na Europa e para o qual os políticos alemães contribuíram?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Tecnocracia? Só se for de tachos!

Mais uma adivinha: quem consegue adivinhar quantos ministros e vice-ministros tem o Governo de Papademos?

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Andam assustados

Andam mesmo assustados.

Barroso quer que se garanta a "irreversibilidade do euro".
Lanço um apelo aos chefes de Estado e de Governo: devemos fazer tudo para garantir a irreversibilidade do euro
Barroso

Não sei porque é que o Sarkozy se preocupa. Não é o tacho dele que está em risco (ou será que já estará a cozinhar alguma posição para a reforma?)
Nunca tantos países quiseram juntar-se à Europa. Nunca o risco de uma desintegração da Europa foi tão grande. A Europa está a enfrentar uma situação extraordinariamente perigosa.
Sarkozy

A Merkel foi só hipócrita.
Ela [Merkel] disse que todos os 27 Estados membros da União Europeia têm um dever para com a Europa, e têm de trabalhar juntos para ultrapassar a crise da zona euro.
Egos e interesses nacionais têm de ser postos de lado, acrescentou
Merkel

A razão de tanto estardalhaço não foi, ao contrário do que os últimos meses puderam fazer crer, o facto de o Sol ter nascido. Foi uma reunião de líderes do Partido Popular Europeu, um partido pró-União Europeia no Parlamento Europeu, mas agora já nem tanto nos Parlamentos nacionais

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Custo-benefício

Custo da regulação comunitária: 600 mil milhões
Benefício do Mercado Único: 120 mil milhões

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Até a ministra do Trabalho chora

Mario Monti, considerou que o país corria o risco de viver uma crise económica semelhante à da Grécia se não decidisse tomar estas medidas de austeridade.
Público

Creio que a sua Ministra do Trabalho deixou claro que discorda, ao apresentar o programa de austeridade de 20 mil milhões de euros:

Entretanto, na terra dos loucos

A Alemanha e a França querem concluir até Março “um novo tratado” entre os 27 Estados da União Europeia (UE) ou, se não for possível, entre os 17 membros do euro
Começa bem, não é?
Implementa sanções imediatas aos países que passarem dos 3% de défice, mais controlo sobre os orçamentos, etc. Já aqui vimos tudo isso.
O novo tratado deverá prever “sanções imediatas em caso de não respeito da regra do défice [orçamental] inferior a 3%” do PIB, afirmou o presidente francês na conferência de imprensa final ao lado da chanceler.

“O nosso objectivo é que, em Março, a totalidade do acordo tenha sido negociada e concluída entre os 17 membros da zona euro porque temos de avançar depressa”, prosseguiu, esclaracendo que as ratificações terão lugar depois das eleições presidenciais e legislativas em França, em Abril.
Público
Atenção que se diz que se não for possível, deve-se avançar para um acordo a 17. Itso porque no Reino Unido (e quiçá noutros países) o Governo está a ser muito pressionado para rever a sua posição na União Europeia.

Mas fica melhor:
O que não vem na imprensa em linha, é como é que se quer fazer isso: via um artigo nos Tratados que lhes permite fazer mudanças sem levar a coisa aos Parlamentos nacionais.

Pois, é assim que a democracia funciona na União Europeia...