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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Barroso quer retirar soberania a Portugal

O título do Diário Económico diz tudo.

Portugal vai ficar sob vigilância apertada da Comissão Europeia até meados da próxima década, altura em que se espera, em Bruxelas, que o país tenha pago até 75% do seu empréstimo. Trata-se de uma entre várias novas regras intrusivas de governação económica na zona euro, ontem propostas por Durão Barroso.

Mais concretamente:
"Um Estado-membro será posto em supervisão pós-programa até que um mínimo de 75% da assistência recebida (...) tenha sido devolvido", (...) No caso de Portugal e Irlanda, uma fonte comunitária avisava ontem que "estamos a falar de, no mínimo, mais uma década, ou talvez um pouco mais, até se chegar a esse limite".

Esta vigilância apertada implica uma perda ainda maior de soberania orçamental, com visitas surpresa dos técnicos europeus e relatórios semestrais de missões europeias (Comissão e BCE), sujeitando-se a medidas correctivas. Mas "sem uma governação mais forte será difícil, senão impossível, manter uma moeda única", avisou ontem o presidente da Comissão.

Todos os países serão alvo de um controlo maior no processo de construção orçamental. Bruxelas vai passar interferir não só no enquadramento macroeconómico dos orçamentos, através do relatório de crescimento anual, mas também fazer propostas de alteração antes e depois da sua adopção no Parlamento. Ou seja, poderá propor um orçamento rectificativo, que se não for seguido conduzirá a sanções.
Diário Económico

Se o Barroso queria ser Primeiro-ministro de Portugal, era escusado ter fugido para Bruxelas... é que ser Chanceler da Alemanha não é para todos:
"Eu considero extraordinariamente preocupante e inapropriado que a Comissão proponha hoje a criação de eurobonds"
Merkel

A imprensa extra-Europeia vê esta proposta como estúpida:
O problema é que um país está falido e estão mais no mesmo caminho. A resposta é multar os países que estão a caminho da falência? Recusar-lhes acesso a fundos?

Completo disparate, está claro. Pondo de lado a estupidez de multar um insolvente, estão ainda a objectificar o Estado. A multa viria dos fundos do Estado, mas é óbvio que o Governo não tem de facto fundos nenhuns - só tem aquilo que tirou dos bolsos das pessoas.
Forbes

A conclusão do cronista da Forbes resume tudo muito bem:
Não faz sentido nenhum, pois não? Mas este é o nível do discurso intelectual entre os nossos Mestres e Soberanos na UE de momento: pobres de nós.

domingo, 20 de novembro de 2011

O que é que o blogue diz da Alemanha?

Grande Alemanha.

Memorando alemão denota deslize secreto para um super-estado.
O memorando de seis páginas, pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, defende que as grandes potências económicas europeias devem poder intervir na gestão dos países afectados da zona Euro.

O plano confidencial define o plano germânico para enfrentar a crise da dívida da zona euro criando uma "união de estabilidade" que será seguida imediatamente de movimentações "em direcção a uma união política".

O memorando revelado, O Futuro da UE: Melhoramentos necessários na política de integração para a Criação de uma União de Estabilidade, chega quando David Cameron se encontra com Angela Merkel, a chanceler alemã em Berlim, hoje, para discutir possíveis alterações dos tratados e a crise da zona euro.

A Alemanha, a Finlândia, a Áustria e os Países baixos seriam capazes de pedir aos Tribunais da União para impôr sanções, desde multas até à perda da soberania orçamental, para proteger o euro.

O memorando diz que o Fundo Monetário Europeu deve receber "verdadeiros direitos de intervenção" nos orçamentos dos membros da zona euro que receberam resgates da União Europeia-Fundo Monetário Internacional.
The Telegraph

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Mais um lóbi político

Mario Monti, membro do Grupo Spinelli, foi designado Chefe do Governo italiano. Esta é uma boa notícia para o compromisso da Itália para uma mais integrada, mais política e mais federal visão da Europa.
O Grupo Spinelli está satisfeito que um Europeu tão convicto como Mario Monti se tenha tornado Primeiro-Ministro italiano, numa altura em que o país está a enfrentar uma crise especialmente séria.
Do dito grupo
Este é um grupo de pressão política perfeitamente assumido, com artigos na imprensa, com membros mais ou menos influentes, e, pasme-se, organiza o que o próprio grupo chama de Shadow European Council. O seu objectivo é o Federalismo europeu, e não é o único grupo de pressão que faz campanha por esses objectivo.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Grupo de Frankfurt

Recebi notícia disto ontem, pela imprensa estrangeira. Um tal Grupo de Frankfurt, também conhecido pelo nome francês de Groupe de Francfort é novo, e não têm recebido grande atenção da imprensa portuguesa.

Eis como as coisas funcionam. As verdadeiras decisões a nível europeu são agora tomadas pelo Grupo de Frankfurt, uma cabala não-eleita composta por oito pessoas: Lagarde; Merkel; Sarkozy; Mario Draghi, o novo presidente do BCE; José Manuel Barroso, presidente da Comissão Europeia; Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo; Herman van Rompuy, presidente do Conselho Europeu; e Olli Rehn, comissário europeu para os assuntos económicos e monetários.

Este grupo, que não presta contas a ninguém, manda na Europa. A cabala decide se a Grécia deve ou não ser permitida realizar um referendo e se Atenas deve receber a próxima tranche do fundo de resgate. O que interessa para este grupo é o que os mercados financeiros pensam e não o que os eleitores possam pensar. Se os Governos tinham algum poder, foi-lhes retirado e colocado nas mãos da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI.
The Guardian

Que coisa é esta, estarão os leitores a perguntar? Alguma espécie de teoria da conspiração?
Longe disso:
O Grupo de Frankfurt, ou GdF, é a última adição à proliferação de grupos políticos internacionais. Constituído pelos líderes da Alemanha, da França, do Eurogrupo, do BCE, da Comissão Europeia e do FMI. (...) Não tem estrutura legal ou secretariado, mas é agora o núcleo do núcleo da Europa.
The Economist

Os mais críticos apelidam o GdF de ‘politburo’ dada a sua ausência de legitimidade democrática. Atribuem-lhe a decapitação de George Papandreu e a punhalada a Silvio Berlusconi.
Incrível, é que este politburo possa ter defensores:
Os defensores atribuem ao grupo o estatuto de antídoto necessário para acabar com a crise do euro.
El Mundo, via presseurop

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Trichet quer União com papel autoritário

Jean-Claude Trichet, o presidente do BCE (aquele sítio muito bonito para onde boa parte do dinheiro para pagar a dívida vai) defendeu que as instituições da zona euro “devem ter um papel mais importante e mais autoritário na formulação das políticas económicas” dos Estados prevaricadores, “substituindo-se aos próprios governos”.

http://economia.publico.pt/Noticia/trichet-defende-intervencao-directa-nos-paises-que-violem-regras-da-estabilidade-1518031

O Público diz tudo.

Resta saber que legitimidade têm as instituições da união, que em 2004 despediu uma auditora que descobriu um grande buraco nas contas comunitárias. E não foi a primeira.
Talvez devessem ser os Estados a ter um papel mais autoritário na fiscalização das finanças das instituições prevaricadoras.