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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Quem parte, reparte e não fica com a melhor parte

... culpa os outros.

O Reino Unido, em troca do seu acordo, pediu por um protocolo específico nos serviços financeiros que, como apresentado, era um risco para a integridade do Mercado Interno. Isto tornou o compromisso impossível.
Durão Barroso

Estas foram as exigências inaceitáveis
Basicamente, assegurar o processo de decisão por unanimidade no Conselho em vários aspectos, e como a proposta de protocolo faz questão em referir, em nada belisca o euro ou a estabilidade da moeda única.
A única ameaça para a estabilidade da moeda única estava no próprio acordo, como já se viu várias vezes neste blogue.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Em relação à Cimeira... encontro... seja lá o que for

Uma entrevista na BBC Radio 4 apresenta uma perspectiva britânica, na minha opinião, de uma lucidez que tem faltado à Europa. Terry Smith é o entrevistado, CEO na City (centro financeiro de Londres).

JUSTIN WEBB: Assuma por um segundo que eles realmente se entendem, que fazem aquilo que têm estado a dizer que fazem nas últimas horas, há um argumento, não é verdade, que isto é só o remédio errado, se estão a fazer as coisas erradas.
TERRY SMITH: É verdade. Eu penso que é. Quer dizer, porque o que vai sair se resume a controlo central e mais austeridade para aqueles países. Eu não acho que se possa curar a sua posição com mais austeridade. A Grécia não pode tornar-se mais competitiva, nas suas maiores indústrias como o turismo e a agricultura, enquanto está numa moeda fortalecida pela presença da Alemanha. Nem a Itália, certamente o sul da Itália, Espanha, Portugal, Irlanda e França. Na minha perspectiva, uma moeda única para todos estes países é equivocada.

O meu destaque:
TERRY SMITH: O que é que eu concluo? Não estou certo de que isto deixe o Reino Unido isolado, ainda somos membros da Comunidade Europeia. Mas se nós estamos isolados, podemos bem estar isolados como alguém que se recusou entrar no Titanic antes de este partir

domingo, 11 de dezembro de 2011

O Der Spiegel e a posição britânica

Não é, afinal de contas, verdade que os Britânicos têm sido a mosca na sopa Europeia há já algum tempo?
Der Spiegel
A mosca na sopa... Que rica mosca que contribuiu com 57 mil milhões de euros líquidos para o actual orçamento comunitário.

Quiseram estar sempre lá, ter uma palavra a dizer e manejar a sua influência. Mas quando foi a altura de realmente mergulhar na Europa juntando-se ao Euro a resposta foi: "Nada de euro por favor, somos Britânicos!"
Der Spiegel
Queriam ter uma palavra a dizer? Malvados!! Manejar a sua influência? Quanta perfídia! Recusaram juntar-se ao euro? Que ultraje! Quem diria que há países que querem ter uma palavra a dizer, alguma influência nas decisões que o vão afectar.

De facto, é revelador que o país nunca tenha entrado na zona de viagem livre sem fronteiras conhecida como Espaço Schengen -- O Reino Unido ainda inspecciona toda a gente que entra no país vindo do outro lado do Canal
Der Spiegel
Revelador, sem dúvida. De bom senso.

A classe política foi também muito céptica em relação à moeda única desde o seu início.
Der Spiegel
Viu-se, e vê-se, quem tinha razão.

A zona euro de 17 Estados membros não será mais forçada a acomodar um país que rejeita tudo o que lhe cheire como supra-nacionalismo.
Der Spiegel
Nem sei o que diga a isto... Primeiro fala-se nas "teorias da conspiração sobre a construção de super-estados", depois admitem a construção de supra-nacionalismo na União Europeia e indignam-se por haver quem não queira associar-se.

A Europa pode funcionar muito bem sem os Britânicos
Der Spiegel
E os Britânicos podem funcionar muito bem sem a União Europeia. Tanto melhor para eles!

Cada vez mais países se encontrarão a pedir mais orientação da Alemanha em vez de menos.
Der Spiegel
Alguém na edição do Der Spiegel andou a beber demasiada cerveja... Será que não estão a olhar para o que se passa na Europa e para o qual os políticos alemães contribuíram?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Entretanto, na terra dos loucos

A Alemanha e a França querem concluir até Março “um novo tratado” entre os 27 Estados da União Europeia (UE) ou, se não for possível, entre os 17 membros do euro
Começa bem, não é?
Implementa sanções imediatas aos países que passarem dos 3% de défice, mais controlo sobre os orçamentos, etc. Já aqui vimos tudo isso.
O novo tratado deverá prever “sanções imediatas em caso de não respeito da regra do défice [orçamental] inferior a 3%” do PIB, afirmou o presidente francês na conferência de imprensa final ao lado da chanceler.

“O nosso objectivo é que, em Março, a totalidade do acordo tenha sido negociada e concluída entre os 17 membros da zona euro porque temos de avançar depressa”, prosseguiu, esclaracendo que as ratificações terão lugar depois das eleições presidenciais e legislativas em França, em Abril.
Público
Atenção que se diz que se não for possível, deve-se avançar para um acordo a 17. Itso porque no Reino Unido (e quiçá noutros países) o Governo está a ser muito pressionado para rever a sua posição na União Europeia.

Mas fica melhor:
O que não vem na imprensa em linha, é como é que se quer fazer isso: via um artigo nos Tratados que lhes permite fazer mudanças sem levar a coisa aos Parlamentos nacionais.

Pois, é assim que a democracia funciona na União Europeia...

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Lembram-se do Fundo de Estabilidade?

Aquele que ia ser aumentado para um milhão de milhão mas sem haver dinheiro?

The European Bailout Explained
by: guardianoid


Falou-se inclusive de mendigar à China, que não se quis meter. Pediu-se o apoio do FMI, mas os Estados Unidos não quiseram lá meter dinheiro quando têm os seus próprios problemas.

Pois é, ainda não desistiram da ideia de aumentar o fundo:
Os ministros das Finanças da zona euro estão a reunir-se em Bruxelas para discutir formas de alargar o fundo de resgate da região, visto como a chave para impedir mais países de serem sugados para a crise da dívida.
BBC

Se algum daqueles 'tecnocratas' já tivesse a solução, será que teriam reclamado os 400 000€ de prémio oferecidos por um executivo de uma cadeia de retalho europeia?
Ah, é que o prémio vai para o melhor plano para deixar os países voltar às suas moedas.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Barroso quer retirar soberania a Portugal

O título do Diário Económico diz tudo.

Portugal vai ficar sob vigilância apertada da Comissão Europeia até meados da próxima década, altura em que se espera, em Bruxelas, que o país tenha pago até 75% do seu empréstimo. Trata-se de uma entre várias novas regras intrusivas de governação económica na zona euro, ontem propostas por Durão Barroso.

Mais concretamente:
"Um Estado-membro será posto em supervisão pós-programa até que um mínimo de 75% da assistência recebida (...) tenha sido devolvido", (...) No caso de Portugal e Irlanda, uma fonte comunitária avisava ontem que "estamos a falar de, no mínimo, mais uma década, ou talvez um pouco mais, até se chegar a esse limite".

Esta vigilância apertada implica uma perda ainda maior de soberania orçamental, com visitas surpresa dos técnicos europeus e relatórios semestrais de missões europeias (Comissão e BCE), sujeitando-se a medidas correctivas. Mas "sem uma governação mais forte será difícil, senão impossível, manter uma moeda única", avisou ontem o presidente da Comissão.

Todos os países serão alvo de um controlo maior no processo de construção orçamental. Bruxelas vai passar interferir não só no enquadramento macroeconómico dos orçamentos, através do relatório de crescimento anual, mas também fazer propostas de alteração antes e depois da sua adopção no Parlamento. Ou seja, poderá propor um orçamento rectificativo, que se não for seguido conduzirá a sanções.
Diário Económico

Se o Barroso queria ser Primeiro-ministro de Portugal, era escusado ter fugido para Bruxelas... é que ser Chanceler da Alemanha não é para todos:
"Eu considero extraordinariamente preocupante e inapropriado que a Comissão proponha hoje a criação de eurobonds"
Merkel

A imprensa extra-Europeia vê esta proposta como estúpida:
O problema é que um país está falido e estão mais no mesmo caminho. A resposta é multar os países que estão a caminho da falência? Recusar-lhes acesso a fundos?

Completo disparate, está claro. Pondo de lado a estupidez de multar um insolvente, estão ainda a objectificar o Estado. A multa viria dos fundos do Estado, mas é óbvio que o Governo não tem de facto fundos nenhuns - só tem aquilo que tirou dos bolsos das pessoas.
Forbes

A conclusão do cronista da Forbes resume tudo muito bem:
Não faz sentido nenhum, pois não? Mas este é o nível do discurso intelectual entre os nossos Mestres e Soberanos na UE de momento: pobres de nós.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Alguém lucrou

Estima-se que a Alemanha tenha lucrado 9 mil milhões de euros com a crise
"Interessantemente, é mais do que o recentemente anunciado alívio fiscal [alemão] de 8 mil milhões para 2013 e 2014. É como se os Gregos financiassem a pequena reforma alemã", acrescentou [Carsten Brzeski, economista sénior no Banco ING]
EUobserver